MEC anuncia avaliação de alunos em alfabetização por amostragem

O Ministério da Educação anunciou, nesta quinta-feira (2), que a avaliação dos alunos do 2º ano do ensino fundamental será feita por amostragem. Essa avaliação chegou a ser suspensa mas, logo depois, o ministério recuou e declarou que a prova seria mantida.

O ministro da Educação fez questão de chamar a atenção para quanto iria custar em 2019 o Saeb, o Sistema de Avaliação da Educação Básica.

“A gente vai fazer um exame para sete milhões de crianças a um custo de R$ 500 mil. É importante falar. A postura nossa é sempre dizer para o pagador de imposto, para a sociedade, onde está sendo alocado o imposto que está sendo recolhido deles”, disse o ministro Abraham Weintraub.

Abraham Weintraub repetiu o valor de R$ 500 mil cinco vezes, mas ele estava errado. Logo depois da entrevista, o Inep informou em nota que o exame custará, na verdade, mil vezes mais, aproximadamente R$ 500 milhões e que o valor de R$ 500 mil foi incorretamente apresentado ao ministro em função de uma inconsistência material na planilha de custos elaborada pelo Inep.

R$ 500 milhões é quase o dobro do custo do Saeb anterior, aplicado em 2017. Segundo o Inep, desta vez o número de alunos avaliados será maior, passa de 5,4 milhões para sete milhões.

Todos os estudantes de escolas públicas e uma amostra dos alunos de escolas privadas do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio vão fazer as provas de português e matemática. Alguns alunos do 9º ano, escolhidos por amostragem, também farão prova de ciências.

Outra novidade é a inclusão dos alunos do 2º ano do ensino fundamental, que estão aprendendo a ler e a escrever. Esta avaliação chegou a ser suspensa pelo ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez, o que provocou críticas e fez com que o ministério voltasse atrás.

Mas, nesta quinta, o ministro Abraham Weintraub explicou que nem todas as crianças dessa faixa etária vão fazer a prova. Elas serão avaliadas por amostragem em algumas escolas públicas e privadas.

“O orçamento do MEC foi contingenciado. A gente está se redobrando e deslocando para onde a gente acha fundamental os recursos. Estamos chegando. Então, é isso, primeira vez, fazer o teste piloto, ver se funciona, corrige, eu acho até salutar. Você primeiro faz um piloto por amostragem, vê se tem algum problema antes de fazer universal”, disse ele.

A decisão do MEC de não aplicar as provas em todas as crianças que estão nessa fase importante da alfabetização foi criticada por especialistas.

“Uma alfabetização malfeita e mal avaliada vai evidentemente influenciar em toda a qualidade do processo educacional subsequente e esse é o problema maior e mais grave do Brasil em termos de políticas educacionais. Nessa faixa etária, nenhum aluno pode ser deixado para trás; nenhum aluno pode deixar de atender os requisitos mínimos e necessários ao desenvolvimento saudável da sua aprendizagem nas etapas posteriores do seu desenvolvimento educacional”, disse o pesquisador de educação do Instituto Expert Brasil, Afonso Galvão.

“A gente tem no Brasil 55% das crianças analfabetas até o 3º ano do ensino fundamental. Esse é um dado que deveria preocupar de fato o governo federal. Claro que a gente vive uma situação de crise fiscal, a gente precisa realmente cortar gastos, mas tem que saber onde cortar esses gastos. Certamente não é na alfabetização, certamente não é na avaliação, porque a avaliação é um instrumento importante para as políticas funcionarem”, afirmou Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação.

Professores e diretores de creches e da pré-escola também serão avaliados pelo Saeb. Eles vão ter que responder a um questionário eletrônico.

Sobre as críticas dos especialistas, o Inep declarou que, estatisticamente, a avaliação será efetiva porque o número de participantes vai garantir a aferição dos resultados, tanto para todo o país, quanto por estado. O Inep declarou ainda que a avaliação vai permitir a verificação da validade da nova matriz da Base Nacional Comum Curricular.

G1 JN

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